Tópico 2.3: O impacto do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde

Nos últimos anos, o sistema alimentar global sofreu uma profunda transformação em termos de tecnologia e processamento de alimentos. Estas transformações tornaram os alimentos ultraprocessados altamente disponíveis em todos os países, independentemente do seu nível económico.

Além disso, o consumo destes alimentos aumentou dramaticamente devido à conveniência económica, à concorrência industrial e à atratividade para os consumidores.

Os inquéritos revelaram que a ingestão de alimentos ultraprocessados pode contribuir para 25-60% da ingestão diária total de energia dos consumidores.

O que é que a imagem mostra?

Esta imagem é de um grande estudo realizado em França, denominado NutriNet-Santé. Mostra que se um indivíduo consumir 100 alimentos ultraprocessados no total, 28 seriam produtos açucarados (por exemplo, bolachas de chocolate), 18 seriam frutas e vegetais (por exemplo, molho de tomate instantâneo), 16 seriam bebidas, etc.

Imagem proveniente da NutriNet-Santé prospective cohort, BMJ 2019;365:l1451

Além disso, verificou-se que a ingestão elevada de alimentos ultraprocessados tem um impacto negativo na saúde e aumenta o risco de doenças não transmissíveis , tais como:

  • Obesidade
  • Doenças cardiovasculares e hipertensão (pressão arterial elevada)
  • Cancro (cancro geral e cancro da mama)
  • Depressão
  • Morte (mortalidade) por todas as causas

No entanto, existe alguma controvérsia entre os cientistas, uma vez que alguns alimentos classificados como ultra-processados de acordo com a NOVA fornecem nutrientes importantes. Exemplos desses alimentos são o pão integral embalado que contém fibra alimentar e os cereais de pequeno-almoço com elevado teor de fibra e baixo teor de açúcar que são enriquecidos com nutrientes essenciais. Estes e outros alimentos saudáveis desta categoria podem constituir uma parte importante de uma dieta saudável e equilibrada.